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Palácio Imperial

De que lado começo meu poema? De que lado se, ao contemplar-te, não vejo senão escombros? — História viva transfigurada em cinzas. Não restou nada — nem mesmo para nossa nostalgia — Senão as tardes de domingo ensolaradas E a cor de sonho amarelo ocre de tua fachada! Foram-se os Príncipes, os Imperadores. Foi-se a Princesa! Já não mais saberemos como viveram os ícones de nossa história. Oh, que passado de glórias! Oh! Que presente de ruinas! Em tua fuligem um pouco de todos nós subiu aos céus, Na vertigem de destruição que nós próprios engendramos. Irresponsáveis que somos com o passado, Imperdoáveis que seremos para o futuro! Oxalá que tudo em ti fossem as sarças que, Ao fogo, não se consumiram! — Sagrado para o Brasil que eras e que sempre serás. Assim como o Cristo, Projeta tua sombra sobre nós, Palácio Imperial! Apazigua nossa alma jovial e irresponsável, E continua a sustentar os alicerces de nossa Pátria Com as tuas paredes.   ...

Nossa Terra

Os séculos passam. No entanto as palmeiras  Sobrevivem, Assim como os sabiás.  Parecem até ignorar as loucuras e paixões desse povo.  Não lhes tocaram os rios de sangue e lágrimas  Ao longo da história.  Estão todas bem assentadas nesta terra  Enquanto os sabiás cantam alegres, cheios de esperança.  A filosofia nos mata, Assim como as teorias econômicas.  Nós digladiamos nas ruas da cidade,  Ameaçamos os campos.  Blasfemamos contra a terra que nos acolhe,  A maldizemos como a uma mãe que abandonou  Sua prole, mas não!  Apesar dos movimentos humanos,  Nossa terra continua forte.  Sustenta as florestas e montanhas  Corre inabalável no seu seio a água límpida das cachoeiras.  Passará pelas tempestades  Do nosso coração bravio  E nossas torrentes de poder e horror.  Frederico Ferreira. Nota: Texto publicado no endereço https://coracaorevolto.blogspot.com/2018/08/nos...

Vagas Tristes

Prestai atenção! Não escutais ainda ao longe o rumor das vagas a bater nos cascos dos negreiros? Suas espumas rebatem sobre nós como lágrimas tristes. Os grilhões não existem mais, mas ainda pesam sobre a nossa história. Os açoites já não ferem a carne, mas estalam como palavras que doem na alma. Coragem irmãos, coragem! Lembrai-vos dos vossos antepassados que lutaram pela liberdade a qualquer custo. E agradecei à ciência que, a despeito de nossa soberba e arrogância, Nos colocou todos em pé de igualdade. Não vos enganeis. Não estais sozinhos. Junto de vós há outros irmãos em humanidade Que lamentam profundamente o vosso passado de dor e miséria; Que se envergonham deste vexame histórico, - A subjugação de um povo por outro - Da mentira secular da superioridade calcada na visão de superfície, Quando na essência, somos todos apenas humanos. O vosso trabalho agora é para o futuro. Plantai as sementes hoje que florescerão amanhã. Sede honestos convosco mesmos, Não vos ...