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Democracia

O que parece ser a Democracia?  Fim e não meio?  Gostaria que fosse,  Porém, aquele conto de fadas que todos escutam  E almejam sua materialização,  Não é senão motivação filosófica para que  Poucos comandem muitos, E que, a favor do que se acostumou chamar de “bem comum” – que quem afinal? –  Somos obrigados a obedecer cegamente.  A Democracia não é apanágio de leis,  De emaranhados de conceitos  Em que poderosos se apoiam para justificar  Benefícios, solturas  De prisioneiros,  Aumentos de seus próprios salários.  Não! Democracia é vontade da maioria,  Seja ela absoluta ou não.  Eu ouço conversas de gente espantada.  Como entender, portanto, estes acontecimentos?  Como ficar neutro e deixar correr o sangue  Misturado com lágrimas, A vista turva embrulhada pela treva do negativismo,  Apenas atingida pelos raios do porvir  Que, pelos ocorridos recentemente, n...

Nas ruas desertas do meu sonho

Nas ruas desertas do meu sonho, o gigante dorme. Ninguém lá está, senão os mendigos. Miséria carregada de tristeza e abandono, Como fantasmas vivos De mãos sujas e alma turva. A rua é sua penúltima morada Antes da morte definitiva. — Se é que podemos afirmar que estão vivos. A bebida os consome por dentro, Mas é a droga que os enlouquece,           que os cerra na sua loucura, Onde não há fome ou frio. Aceitam, assim, a viagem sem volta. Nas ruas desertas do meu sonho, o gigante dorme. Dorme porque sua alma está entorpecida. As contas para pagar,           os impostos — muitos impostos, O medo do desemprego,           a violência, Entorpecem a alma do meu país. Ninguém olha para a janela ao lado. Sequer abrem a janela do carro Para ver o que se passa           co...