Nas ruas desertas do meu sonho
Nas ruas desertas do meu sonho, o gigante dorme. Ninguém lá está, senão os mendigos. Miséria carregada de tristeza e abandono, Como fantasmas vivos De mãos sujas e alma turva. A rua é sua penúltima morada Antes da morte definitiva. — Se é que podemos afirmar que estão vivos. A bebida os consome por dentro, Mas é a droga que os enlouquece, que os cerra na sua loucura, Onde não há fome ou frio. Aceitam, assim, a viagem sem volta. Nas ruas desertas do meu sonho, o gigante dorme. Dorme porque sua alma está entorpecida. As contas para pagar, os impostos — muitos impostos, O medo do desemprego, a violência, Entorpecem a alma do meu país. Ninguém olha para a janela ao lado. Sequer abrem a janela do carro Para ver o que se passa co...